A resposta curta é sim. Quem mora em apartamento pode ter energia solar e ver a conta de luz cair todo mês, mesmo sem ter telhado próprio, sem precisar da aprovação unânime do condomínio e, em alguns casos, sem nem precisar instalar nada no prédio.
A dúvida existe porque a imagem mais comum da energia solar ainda é a de uma casa com painéis no telhado. Para apartamentos, o caminho é diferente. Mas ele existe, é regulamentado e está disponível para qualquer morador disposto a dar o primeiro passo.
Por que o apartamento funciona diferente de uma casa?
A limitação é estrutural e jurídica. O telhado de um edifício é área comum do condomínio, não propriedade individual de nenhum morador. Isso significa que um único apartamento não pode simplesmente instalar painéis ali sem aprovação coletiva.
Além disso, mesmo que o condomínio aprovasse, a energia gerada no telhado compartilhado não pode ser direcionada diretamente para um único apartamento sem um projeto específico que defina como os créditos serão distribuídos entre os moradores.
É exatamente para resolver esse problema que a regulamentação brasileira criou dois caminhos viáveis para quem mora em apartamento.
O que a lei garante ao morador de apartamento?
As duas modalidades são regulamentadas pela Resolução Normativa 1.059/2023 da Aneel, que consolidou as regras de geração distribuída no Brasil. Na prática, a legislação garante:
- O direito à compensação de créditos diretamente na conta individual do morador.
- Os créditos podem ser usados na mesma unidade ou distribuídos entre os participantes do projeto, conforme o modelo contratado.
- Validade de 60 meses para os créditos gerados — o que não foi usado num mês pode ser aproveitado nos seguintes.
- A obrigação das distribuidoras de processar os pedidos de conexão dentro dos prazos estabelecidos.
Para entender melhor como funciona o sistema de compensação de energia e em qual faixa cada projeto se encaixa, vale conferir nosso artigo sobre microgeração e minigeração distribuída.

Os dois caminhos para energia solar em apartamento:
1. Geração compartilhada no condomínio
Nessa modalidade, o condomínio instala painéis solares em sua área comum — normalmente na cobertura ou em estacionamentos com estrutura de sombreamento — e a energia gerada é rateada entre as unidades participantes.
Como funciona na prática:
Os painéis são instalados coletivamente. A energia gerada abastece primeiro as áreas comuns do prédio: iluminação, elevadores, portaria, bombas d'água. O excedente é convertido em créditos distribuídos entre os apartamentos cadastrados no projeto. Cada morador participante vê esses créditos aparecerem na própria conta de luz individual, com abatimento direto no valor a pagar. A forma de divisão é definida pelo próprio condomínio em assembleia.
Quem cuida da instalação e manutenção?
O condomínio contrata um integrador solar para projetar, instalar e registrar o sistema junto à distribuidora de energia. A gestão dos créditos e a manutenção periódica fazem parte do contrato. O custo de instalação pode ser dividido entre os condôminos participantes ou viabilizado via financiamento.
2. Autoconsumo remoto
Essa é a alternativa para quem quer ter energia solar de forma independente, sem depender da decisão do condomínio.
No autoconsumo remoto, o morador contrata participação em uma usina solar que fica em outro local — pode ser fora da cidade, em área rural, ou em uma unidade dedicada a esse fim. A usina gera energia, injeta na rede elétrica e os créditos correspondentes à cota contratada aparecem diretamente na conta de luz do apartamento.
O morador não instala nada. Não precisa de espaço físico. Não depende do condomínio. Paga uma mensalidade pela cota de energia e recebe créditos que reduzem a fatura.
O que verificar antes de contratar autoconsumo remoto:
Geração compartilhada x autoconsumo remoto: qual é melhor para você?
Nenhuma opção é universalmente melhor. A geração compartilhada costuma ter maior potencial de economia quando o condomínio tem boa área disponível e organização para viabilizar o projeto. O autoconsumo remoto é a saída mais prática para quem quer agir de forma independente e não quer esperar por uma decisão coletiva.
Quanto posso economizar morando em apartamento?
Depende da modalidade escolhida, do tamanho do sistema e do seu consumo atual.
Na geração compartilhada bem dimensionada, é possível reduzir entre 70% e 90% da conta individual de luz. Em condomínios que também usam a energia para as áreas comuns, o resultado costuma ser ainda mais expressivo, já que a fatura coletiva do prédio também cai.
No autoconsumo remoto, a economia é proporcional à cota contratada. Uma cota equivalente a 80% do consumo mensal gera créditos que cobrem 80% da fatura.
Para entender quanto você especificamente poderia economizar, o melhor caminho é simular com base no seu histórico de consumo. O Simulador da 77Sol faz esse cálculo em minutos.
Economia real, sem precisar de telhado
Energia solar para apartamento não é mais uma promessa futura. É uma realidade com regulamentação consolidada, casos reais de economia comprovada e opções acessíveis para diferentes perfis de consumidor.
Se a conta de luz do seu apartamento está alta e você quer parar de pagar mais do que deveria, o caminho existe. O próximo passo é entender qual das duas modalidades faz sentido para o seu caso — e para isso, simular com base no seu consumo real é o ponto de partida mais direto.
Perguntas frequentes
Apartamento pode ter energia solar?
Sim. Moradores de apartamento têm duas opções regulamentadas: geração compartilhada, com instalação coletiva na área do condomínio e rateio dos créditos entre os participantes; e autoconsumo remoto, em que o morador contrata uma cota em uma usina solar externa e recebe os créditos diretamente na conta de luz. As duas formas são garantidas pela Resolução Normativa 1.059/2023 da Aneel.
Preciso da aprovação do condomínio para ter energia solar?
Depende da modalidade. Para geração compartilhada, sim: é necessária aprovação em assembleia, pois a instalação ocorre em área comum do prédio. Para autoconsumo remoto, não. O morador contrata de forma individual, sem depender de decisão coletiva.
Os painéis solares podem ser instalados no telhado do meu apartamento?
Apartamentos não têm telhado próprio. A cobertura é área comum do condomínio, e qualquer instalação nela precisa de aprovação coletiva. Por isso, o caminho individual mais prático é o autoconsumo remoto, que não exige nenhuma instalação física no imóvel.
Quanto custa ter energia solar em um apartamento?
No autoconsumo remoto, o modelo mais comum é a assinatura de uma cota mensal, sem investimento inicial relevante. Na geração compartilhada, o custo depende do projeto coletivo: pode ser dividido entre os condôminos participantes ou viabilizado via financiamento. Em ambos os casos, a economia gerada tende a ser maior do que o custo da participação.
Os créditos aparecem diretamente na minha conta de luz?
Sim. Tanto na geração compartilhada quanto no autoconsumo remoto, os créditos de energia são registrados na sua conta individual junto à distribuidora e abatidos do valor a pagar mensalmente.
O que acontece nos meses em que gero mais créditos do que consumo?
Os créditos excedentes têm validade de 60 meses. Eles podem ser usados nos meses seguintes ou transferidos para outras unidades do mesmo titular, conforme as regras da Aneel.
Qual a diferença entre geração compartilhada e autoconsumo remoto?
Na geração compartilhada, o sistema solar fica no próprio condomínio (área comum) e os créditos são distribuídos entre os moradores participantes. No autoconsumo remoto, a fonte geradora fica em outro local, fora do condomínio, e os créditos são repassados para a conta do morador. As duas formas são válidas e regulamentadas.